DENZEL WASHINGTON



Filho de uma manicure e de um pastor pentecostal, Denzel nasceu em Mount Vernon, no estado de Nova York, e gosta de deixar claro logo de cara que precisou de muita sorte, além de talento, para chegar lá. Até debutar no cinema, em A Cara do Pai, amargou anos e anos fazendo peças inexpressivas off-Broadway e seriados de TV descartáveis. "Sorte é o encontro da oportunidade com a preparação. Eu estava pronto para agarrar com unhas e dentes as chances que surgiram", conta ele, que há dois anos inaugurou uma nova fase na carreira, estreando como diretor em Voltando a Viver - Antwone Fisher. Não ter deixado a inteligência sucumbir ao ego também o ajudou a construir uma reputação sólida em Hollywood. "Sidney Poitier (um dos atores negros mais famosos dos anos 50 e 60) me deu um conselho que jamais esqueci. Disse que, quando o público vê o ator a semana inteira dando entrevistas para TV, jornais e revistas, ele não compra o ingresso para vê-lo no cinema. Para que pagar por algo que você tem gratuitamente?" Denzel lamenta que os atores mais jovens caiam nessa armadilha. "Aparecer na capa de uma revista não faz de você um ator e sim uma celebridade, coisa que nunca me interessou."
Vestindo um jeans que há muito deixou de ser novo, uma camisa verde de mangas compridas caída por fora da calça, um par de tênis surrado e um relógio Casio de 39 dólares, Denzel explica sua modéstia, que não se limita a objetos bons e necessariamente baratos. "Não procuro as coisas que quero pelo preço. Se compro algo é por causa da qualidade ou simplesmente por adequar ao meu gosto. Por que gastar uma fortuna com um relógio de marca cara se é este que me faz a cabeça?", pergunta.



Mas não se engane em pensar que a mansão de Los Angeles onde mora o ator negro de maior sucesso e salário em Hollywood não guarda algumas preciosidades capazes de arregalar os olhos dos habitantes menos consumistas do planeta. "Tenho uma coisa ou outra de valor", admite sorrindo. "Confesso que tenho uns carros bem caros e velozes na garagem lá de casa", acrescenta ele ao referir-se à reluzente máquina que costuma usar para passear com a família ou ir à igreja pentecostal aos domingos. Mesmo não levando o Oscar, o cacife de Denzel Washington subiu muito. Ele agora deve passar a ganhar cerca de 20 milhões de dólares por filme.
A chegada dos 50 anos não preocupa Denzel Washington. Nem poderia. O bonitão de 1,83 m de altura, corpo musculoso e sorriso sedutor mantém a mesma jovialidade, bom humor e sex appeal de mais de 20 anos atrás, quando foi descoberto por Hollywood. "Se a gravidade age durante a noite, eu malho durante o dia", diz brincando o astro, que completa o aniversário no dia 28 de dezembro. Um dos atores mais respeitados da indústria do cinema, Denzel costuma dizer que não tem tempo para envelhecer porque está "sempre em movimento". Sua extensa filmografia, com mais de 40 títulos, não o deixa mentir. Até o final do ano, mais dois de seus longas-metragens aterrisam nos cinemas brasileiros: o policial Chamas da Vingança e o thriller Sob o Domínio do Mal. "Os cabelos brancos não vão me segurar", garante ele, um dos atores negros mais requisitados do cinema americano, com o cachê médio de US$ 12 milhões.
Desde que ganhou o primeiro papel de destaque nas telas, em A História de um Soldado, Denzel está acostumado a hipnotizar o público. Principalmente o feminino. "Eu me cuido. Faço tudo para me sentir bem física, mental e espiritualmente. Sou o único responsável pela minha saúde e felicidade", afirma o astro, eleito várias vezes pela revista People como uma das 50 pessoas mais bonitas do planeta. "Se eu quiser continuar a figurar nessas listas, preciso parar de comer fajitas (um prato mexicano) engorduradas", diz ele, que recebeu a reportagem da ELLE em uma suíte do Hotel Essex House, de Nova York, vestindo jeans, camisa branca e blazer preto. "Não estou nem aí para a moda. Gosto mesmo de usar camisetas velhas."




Sem disposição para posar de galã nas telas, o ator reflete em suas escolhas a preocupação com as questões raciais, sociais e políticas. "Não vejo graça em bancar o príncipe encantado de comédia romântica", diz Denzel, vencedor de dois Oscar: como melhor ator por Dia de Treinamento (2001), que denuncia a corrupção na polícia de Los Angeles, e como coadjuvante por Tempo de Glória (1989), a história do primeiro regimento negro que lutou na Guerra Civil americana. Ao longo da carreira, ele foi indicado à estatueta por Um Grito de Liberdade (1987), pelo desempenho como um ativista político sul-africano que luta contra o apartheid e morre torturado na prisão, por Malcolm X (1992), cinebiografia de um dos mais importantes ativistas negros nos EUA, e por Hurricane - O Furacão (1999), com o papel do boxeador condenado por um crime que não cometeu.
Em Chamas da Vingança, Denzel interpreta um guarda-costas que tenta evitar o seqüestro de uma criança americana no México. "O filme serve de alerta para um problema crescente no México, na Guatemala e no Brasil, países onde o seqüestro virou um negócio lucrativo", afirma o ator, que contracena com a menina Dakota Fanning. Já Sob o Domínio do Mal conta a história de um oficial militar que tem pesadelos sobre sua última missão, na Guerra do Kuwait. Trata-se de um remake de um filme de 1962 que abordava a Guerra da Coréia. "Fiquei intrigado com o roteiro, que fala de temas tão diferentes quanto o controle da mente, o abuso de poder político e a conspiração", diz Denzel, que encarna o papel vivido por Frank Sinatra na trama original. "Por respeitar demais o trabalho de Sinatra, preferi não assistir o primeiro filme para não me deixar influenciar.




Indiferente à fama e ao glamour, o astro prefere levar uma vida tranqüila, longe dos holofotes. Faz tudo para preservar a mulher, Pauletta, uma pianista clássica e ex-cantora da Broadway, com quem está casado há 22 anos, e os quatro filhos - John David, 19 anos, Kátia, 16, e os gêmeos Olivia e Malcolm, 13 (este ganhou o nome em homenagem ao líder negro interpretado pelo pai em Malcolm X). "Não gosto de festas barulhentas. Só compareço às pré-estréias de meus filmes para honrar o meu compromisso profissional." Apesar da vida boa que o cinema lhe proporciona (como a maioria dos astros, ele vive em uma mansão em Los Angeles e dirige carros luxuosos), o ator diz apreciar as coisas simples da vida. "Se aprendi alguma coisa na minha trajetória foi que não preciso de muito para viver bem. O que conta não é o que você tem, mas o que faz com o que tem", diz Denzel, que não abre mão de freqüentar a missa da Igreja Pentecostal aos domingos.
O ator garante nunca ter se esquecido de suas raízes. "Quando olhamos demais para uma meta, a tendência é esquecermos o que está ao nosso redor. Tive a felicidade de ter sempre ao meu lado uma mulher forte como Pauletta. Ela me ajuda a manter a cabeça no lugar e não permite que eu me comporte como dono do mundo." Se existe um segredo por trás desse casamento duradouro, coisa rara em Hollywood, Denzel acredita ter sido a opção de nunca negligenciar a família em nome do trabalho. "Conheço muitos atores que destruíram suas vidas pessoais porque apostaram tudo na carreira. Não poderia me olhar no espelho se, de alguma forma, prejudicasse a minha mulher ou os meus filhos por trabalhar demais. Eles sabem que sempre podem contar comigo." Esse é o típico cara legal que Denzel interpreta nas telas mostrando seu lado na vida real.




Filmografia

2007 - American gangster
2006 - Déjà vu (Déjà vu)
2006 - O plano perfeito (Inside man)
2004 - Chamas da vingança (Man on fire)
2004 - Sob o domínio do mal (Manchurian candidate, The)
2003 - Por um triz (Out of fire)
2002 - Um ato de coragem (John Q)
2002 - Voltando a viver (Antwone Fisher)
2001 - Dia de treinamento (Training day)
2000 - Duelo de titãs (Remember the titans)
1999 - Hurricane - O Furacão (Hurricane, The)
1999 - O colecionador de ossos (Bone Collector, The)
1998 - Nova York sitiada (Siege, The)
1998 - Jogada ensaiada (He got game)
1998 - Possuídos (Fallen)
1996 - Um anjo em minha vida (Preacher's wife, The)
1996 - Coragem sob fogo (Courage under fire)
1995 - O diabo veste azul (Devil in a blue dress)
1995 - Assassino virtual (Virtuosity)
1995 - Maré vermelha (Crimson tide)
1993 - O dossiê pelicano (Pelican Brief, The)
1993 - Muito barulho por nada (Much ado about nothing)
1993 - Filadélfia (Philadelphia)
1992 - Malcolm X (Malcolm X)
1991 - Sem limite para vingar (Ricochet)
1991 - Mississipi Massala (Mississipi Massala)
1990 - Mais e melhores blues (Mo'better blues)
1990 - Uma estranha condição (Heart condition)
1989 - Tempo de glória (Glory)
1989 - Herói sem Pátria (For queen and country)
1989 - Mighty Quinn, The
1987 - Um grito de liberdade (Cry freedom)
1986 - Uma lição de coragem (George McKenna story, The) (TV)
1986 - Os donos do poder (Power)
1984 - License to kill (TV)
1984 - A história de um soldado (A soldier's story)
1981 - A cara do pai (Carbon copy)
1979 - Flesh & blood (TV)
1977 - Wilma




Premiações

Recebeu 3 indicações ao Oscar de Melhor Ator, por "Malcolm X" (1992), "Hurricane - O furacão" (2000) e "Dia de Treinamento" (2002). Ganhou por "Dia de Treinamento".

Recebeu 2 indicações ao Oscar de Melhor Actor Coadjuvante, por "Um Grito de Liberdade" (1987) e "Tempo de Glória" (1989). Venceu por "Tempo de Glória".

Recebeu 4 indicações ao Globo de Ouro de Melhor Actor - Drama, por "Um Grito de Liberdade" (1987), "Malcolm X".

(1992), "Hurricane - O Furacão" (1999) e "Dia de Treinamento" (2001). Venceu por "Hurricane - O Furacão". Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actor Coadjuvante, por "Tempo de Glória" (1989).

Ganhou 2 vezes o Urso de Prata de Melhor Actor, no Festival de Berlim, por "Malcolm X" (1992) e "Hurricane - O Furacão" (1999).

Recebeu 2 indicações ao MTV Movie Awards de Melhor Actor, por "Malcolm X" (1992) e "Maré Vermelha" (1995). Venceu por "Malcolm X".

Ganhou o MTV Movie Awards de Melhor Vilão, por "Dia de Treinamento" (2001). Recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de o Mais Gostoso, por "O Dossiê Pelicano" (1993).

Recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Frase, por "Dia de Treinamento" (2001).

Recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards de Melhor Dupla, por "Filadélfia" (1993).





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