Profissão: Ator
Data de Nascimento: 30.10.1978
País de Nascimento: México
Cidade de Nascimento: Guadalajara

Se tudo que você conhece da produção dramática mexicana são aquelas novelas lacrimosas, precisa rever seus conceitos. Assim como o Brasil e a Argentina, o México experimenta atualmente uma enorme efervescência cinematográfica e pelo menos um dividendo desta boa fase já está sendo aclamado unanimamente: o ator Gael García Bernal.
Tudo bem que Bernal realmente guarda origens próximas às dos enlatados da Televisa. Ele foi o protagonista, em 1992, da novela ''Vovô e Eu'', que o SBT exibiu com sucesso aqui no Brasil. Mas Bernal amadureceu rapidamente e já conta, hoje, com um espectro dramático de causar inveja a veteranos. Foi do rebelde, falastrão e iconoclasta Julio, de ''E Sua Mãe Também'', ao submisso, ambicioso e reticente Amaro de ''O Crime do Padre Amaro'', com facilidade enorme.
Tanto público quanto crítica reconheceram tal talento. Ambos foram enorme sucesso nas bilheterias mexicanas (especialmente ''Amaro'', que quebrou vários recordes) e indicados ao Oscar. Aliás, apesar da curtíssima carreira cinematográfica, de apenas três anos, Gael García Bernal já conta com nada menos que quatro filmes indicados ao prêmio da Academia. Não é à toa que em 2003 ele foi convidado para ser um dos apresentadores da cerimônia.
García começou nas artes dramáticas estimulado pelos pais, os também atores Patricia Bernal e Jose Ángel García. Subia nos palcos praticamente desde criança. Na adolescência, chegou a estudar na Central School of Speech and Drama em Londres, e envolveu-se em diversos projetos experimentais de colegas, como os curtas ''De Tripas, Corazón'' (1996) e ''El Ojo en La Nuca'' (2000). O primeiro, dirgido por Antonio Urrutia, teve a distinção de concorrer ao Oscar de melhor curta-metragem. Gael já começava com o pé direito.
No mesmo ano de ''El Ojo en La Nuca'', Bernal tentou seu primeiro longa-metragem: o drama ''Amores Brutos'', de Alejandro González Iñárritu. Crônica da vida urbana moderna, o filme alinhava três contos de amor por meio de um acidente de carro e da relação dos personagens com seus cachorros. O filme também foi indicado ao Oscar, só que na categoria de melhor estrangeiro.
Gael García Bernal, porém, não precisou ficar chateado. Teria sua segunda chance com outro drama autenticamente mexicano, ''E Sua Mãe Também''. Rodado em 2001, este road movie delicioso mostrava dois garotos que levavam uma mulher mais velha para conhecer uma fictícia praia paradisíaca. Na pauta dos diálogos, grandes doses de crítica social, piadas de baixo calão e auto-conhecimento.
O filme foi muito bem recebido em todo mundo por seu frescor e por sua vocação transgressora - especialmente por se tratar de um longa roteirizado e dirigido por Alfonso Cuarón, mexicano que já havia sido engolfado pelo sistema hollywoodiano. Nos EUA, havia feito o genial ''A Princesinha'' e perdeu força com ''Grandes Esperanças''. Seu ''retorno ao lar'' com ''E Sua Mãe Também'' o colocou em evidência e lhe garantiu a direção de ''Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban''.

Para Bernal, o filme teve uma conseqüência mais direta: a íntima amizade com o colega de cena Diego Luna (''Havana Nights: Dirty Dancing 2''). No mesmo ano de ''E Sua Mãe Também'', Bernal rodou ainda mais quatro fitas: o argentino ''Vidas Privadas'', ao lado de Cecília Roth (''Tudo Sobre Minha Mãe''); a comédia ''Sin Noticias de Dios'', com Penélope Cruz; o curta inglês ''The Last Post''; e o drama americano ''Dreaming of Julia'', com Harvey Keitel.
Em 2002, Bernal viria a protagonizar o grande fenômeno ''O Crime do Padre Amaro'', adaptação para o México atual da obra de época de Eça de Queiroz. O ator interpreta um padre que, recém-chegado a um vilarejo, logo entra no jogo de poder local, ao mesmo tempo que tenta subvertê-lo para poder consumar seu amor por uma moça muito religiosa. A paixão entre os dois termina em tragédias, mas também em muita denúncia contra o governo e a Igreja Católica.
O filme se tornou a maior bilheteria de todos os tempos no México e foi parar no Oscar, na categoria de melhor estrangeiro. No mesmo ano, por uma questão de atraso do lançamento, concorreu também ''E Sua Mãe Também'', na categoria de roteiro original. Nenhum dos dois ganhou.
Ironicamente, ''E Sua Mãe Também'' perdeu para ''Fale com Ela'', e o diretor Pedro Almodóvar convidou Bernal para seu próximo projeto. Com ele, Bernal vai rodar ''La Mala Educación'', também uma devassa nos podres bastidores da Igreja Católica. Ele interpretará um seminarista que envolve-se com um padre muito mais velho.
Outro novo longa do jovem ator que está dando o que falar é ''The Motorcycle Diaries'', do diretor brasileiro Walter Salles (''Central do Brasil'' e ''Abril Despedaçado''). Nele, Bernal será o jovem Che Guevara, que escreve um diário ao longo de suas viagens de moto pela América, muito antes de se tornar o guerrilheiro revolucionário que a história conhece.
Ironicamente, Bernal já interpretou Che na minissérie mexicana ''Fidel'', em 2002. - Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Ator, por "Diários de Motocicleta" (2004).
- Recebeu uma indicação ao Prêmio Goya de Melhor Ator Coadjuvante, por "Sem Notícias de Deus" (2001).
- Estudou artes dramáticas em Londres

Filmografia:
2008 - Ensaio sobre a cegueira (Blindness)
2007 - Déficit (Déficit)
2007 - O passado (El pasado)
2006 - Babel (Babel)
2006 - Soy tu fan (TV)
2006 - Sonhando acordado (Science of sleep, The)
2005 - King, The
2004 - Má educação (La mala educación)
2004 - Diários de motocicleta (Motorcycle diaries, The)
2003 - Dreaming of Julia
2003 - Jogo de sedução (Dot the I)
2002 - I'm with Lucy
2002 - O crime do padre Amaro (El crimen del padre Amaro)
2001 - Last post, The
2001 - Sem notícias de Deus (Sin noticias de Dios)
2001 - Vidas privadas (Vidas privadas)
2001 - El ojo en la nuca
2001 - E sua mãe também (Y tu mamá también)
2000 - Cerebro
2000 - Amores brutos (Amores perros)
1996 - Das tripas, corazón
Fonte: e.pipoca
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