GISELE BÜDCHEN



Tudo começou no dia 20 de Julho de 1980. O Sr. Valdir e a Sra. Vânia Bündchen estavam tendo as suas terceira e quarta filhas. As duas meninas que haviam acabado de nascer já tinhas duas irmãs (Raquel e Graziela), e ainda iam ter mais duas (Gabriela e Rafaela), nos próximos anos. O nome dos dois bebês eram Patrícia e Gisele Bündchen. Gisele Caroline Bündchen nasceu em Horizontina, Rio Grande do Sul, uma pequena cidade (17000 habitantes), no extremo sul do Brasil. Gisele e Patrícia são gêmeas (não idênticas, e Gisele nasceu primeiro). Na verdade, Gisele nasceu em uma cidade chamada "Três de Maio" (Horizontina não tinha a infra-estrutura necessária para realizar uma cirurgia em uma mulher que estava tendo gêmeos). Ninguém sabia ainda, mas aquele pequeno bebê chamado Gisele iria mudar o mundo da moda para sempre, não muito distante dali.

Na escola "Escola Evangélica Frederico Jorge Logemann" Gisele já era uma menina pequena, muito magra. No ginásio, Gisele era chamada de "Olívia Palito" (amiga magricela do Popeye), "Somaliana" e Saracura. Seus amigos da escola costumavam tirar sarro dela, porque ela era muito alta e magra: "Teve um tempo em que isso me atrapalhou bastante, me deixou muito triste". "Gisele era esquisitinha, toda desengonçada" – diz Roberta Wojahn, vizinha e amiga. Ela gostava de jogar Volleyball, e chegou a pensar em ser jogadora profissional, mas como vimos, essa carreira não deu certo: "Tudo o que ela queria era ser jogadora de vôlei – diz a mãe, e Gisele confirma: "Eu sonhava em ser a Ana Mozer, a Fernanda Venturini, e jogar no Sogipa. Ela sempre foi uma criança agitada: "Eu era um macaco. Até mais ou menos sete anos andava de calcinha pela rua, correndo".

Em 1993, Gisele, com 13 anos e quase 1,70m de altura, se inscreveu no curso de manequim de Dilson Stein para corrigir a sua postura, junto com Patrícia e Gabriela, por insistência da mãe. O curso era destinado a adolescentes que sonhavam em ser modelos. Em Maio de 1994, Stein levou 50 garotas em um ônibus para São Paulo, por duas razões: para dar a elas a chance de conhecer uma grande cidade como São Paulo e deixar que elas fossem avaliadas pelos agentes da Elite Brasil. Zeca Abreu e Liliana Gomes, da Elite, foram avisados por Stein para avaliar o grupo, então o descobrimento da Gisele não foi um ato casual. Zeca e Liliana perguntaram a Gisele "Você gostaria de ser modelo?" e ela respondeu "No way". "Não via aquilo como algo real. O cara encheu meu saco. Eu queria conhecer o Playcenter".

No próximo dia 20 de Agosto, Gisele estava jogando Vôlei pelo Sogipa, em Porto Alegre. O pessoal da Elite "seqüestrou" a Gisele e a levou para o concurso Look of the Year, na etapa do Rio Grande do Sul. Ela já estava inscrita no concurso, e ela tentou escapar. Sem nem tomar banho ela foi levada para participar do concurso, em um vestido emprestado. "Cheguei e levei um susto. As gurias estavam maquiadas, todas com vestidos longos, e eu ali, suja, de joelheira. Eu não queria saber daquilo, não queria desfilar". Gisele ficou entre as cinco finalistas. Aí, ela foi para São Paulo. Suas roupas eram, agora, um pouco mais apropriadas, a maioria emprestada das suas amigas Melissa e Karina Costa. Ela ficou em segundo lugar na etapa nacional do concurso Elite Look of the Year - Claudia Menezes, da Bahia, foi quem ficou em primeiro lugar. Na etapa mundial, em Ibiza, Gisele ficou na Quarta colocação, mas ninguém (incluindo ela mesma), admite esse resultado como oficial, porque ela nunca chegou a ganhar uma notificação oficial da organização do concurso. Em uma outra versão, Gisele teria ficado em sexto lugar. A partir daí, Gisele começou a mudar. "Passei a gostar da idéia de ser independente".



Depois disso, Gisele fez alguns trabalhos no Japão, apenas alguns editoriais (ir para o Japão é algo que toda a modelo tem que fazer no começo de sua carreira). Desapontada com a falta de trabalho Gisele voltou para casa, em Horizontina. No começo de 1995 Gisele tomou a decisão de ir para São Paulo. Seu pai, Valdir, não gostou da idéia, mas ele finalmente concordou. Ele foi para São Paulo, conversou com o pessoal da Elite e conheceu o apartamento em que ela iria morar, com mais cinco garotas. Em Fevereiro Gisele, com 14 anos, fez duas malas de roupa e pegou um ônibus para São Paulo.

Em São Paulo as coisas não eram fáceis. "No início eu tinha que ir para os testes de metrô. Não tinha dinheiro para pegar táxi. De vez em quando passava por baixo da roleta dos ônibus para não pagar, porque tinha de economizar e não queria pedir aos meus pais". Ela começou a São Paulo inteira de ônibus e metrô. "Conheço São Paulo inteira de metrô e de ônibus". "Queria ser independente com 14 anos!".

Em São Paulo, Gisele terminou o Segundo ano do colegial, em uma escola pública. Ela morava em um apartamento, pagando aluguel, dividindo com outras garotas. Mônica Monteiro, ex booker da Elite e agente da Gisele no Brasil pela IMG, costumava dar carona para a Gisele até a escola. Como Gisele quase não tinha trabalho nessa época, ela ajudava Mônica preenchendo cadastros e atendendo telefonemas. De vez em quando, Gisele dormia na casa de Mônica, e seu marido Aloísio Lima, tinha que dormir no sofá, para deixar Gisele dormir com Mônica.

Gisele ia a testes concorrer com outras 100 garotas. As pessoas olhavam para a sua cara, olhavam para seu book e diziam "Muito obrigado". Era mais um "não". E houve muitos "nãos". As razões para rejeitarem trabalho a Gisele eram seu nariz "muito grande", seu corpo "muito magra", olho "era isso oi aquilo", "ela não é certa para esse trabalho". Ainda hoje Gisele não gosta muito do se nariz. "Só que eu não ia deixar esse bando de gente me abalar. Não ia receber cinco "nãos" na cara e desistir. Não sou desse tipo de pessoa. Eu vou atrás do que quero e não importa o que aconteça".



Gisele foi para Nova York em Dezembro de 1996, mas ela voltou logo após. "Cheguei e fiz um show-room do Calvin Klein, fiz L’Oreal. As meninas novas não tinham muita chance. Fiquei duas semanas e voltei para São Paulo, não iria penar em NY". Em Maio ou Junho de 1997 ela decidiu ir para Nova York, dessa vez para ficar. "Queria provar para mim mesma que poderia ser modelo". Ela morava em um apartamento na 3a Avenida, com mais cinco ou seis garotas e não falava inglês. "Eu morava com outras cinco modelos e elas não gostavam muito de mim". Houve uma vez em que as garotas ensinaram Gisele a palavra "asshole" (algo muito pior do que "bundão") e a disseram para cumprimentar as pessoas com essa palavra. "Fiquei o dia inteiro decorando: asshole, asshole, asshole. Cheguei à portaria do meu prédio e falei para o porteiro: "Good morning, asshole!" Ele não falou nada". Ela só foi avisada pela booker da agência. "Quando eu descobri o significado, quis matar as meninas".

Gisele conta que nos primeiros dias em que estava em Nova York, ela olhou para o céu para fazer pedidos a estrelas cadentes, e ficou frustrada quando descobriu que não conseguia ver as estrelas em meio a tantos arranha-céus em Nova York. Gisele costumava fazer isso em sua cidade natal, Horizontina. No dia seguinte Gisele foi tatuar no seu pulso esquerdo uma pequena estrela. "Aí eu posso fazer os pedidos olhando para o meu braço".

Arrumando um espaço no mundo da moda, Gisele fez 30 castings em Londres, "mas eles sempre implicavam com o meu nariz". "Ninguém gostava de mim. Fiz apenas dois desfiles no começo". Quando Gisele começou a trabalhar para Alexander McQueen, John Galliano e Givenchy, as pessoas começaram a prestar mais atenção nela. No final de 1997 ela conheceu o estilista Martine Sitbon, e em Julho de 1998 Gisele estava na capa da Vogue Americana. "A primeira capa, na Vogue de julho de 1998, deu um puxão na minha carreira".

Daquele momento em diante a agenda da Gisele começou a ficar mais cheia. Alexander McQueen começou a se referir a Gisele como "the body" (o corpo). Domenico Dolce e Stefano Gabbana gostaram tanto da Gisele que a puseram para abrir e fechar seus desfiles. "Sabe o que é chegar a Milão ainda menina, sem nunca ter feito nada, com um monte de top, e você abrir o desfile do Dolce e Gabbana?" pergunta Mônica Monteiro.



Na temporada seguinte, em 1998, Gisele brilhou em Milão, Paris e Londres, aparecendo aproximadamente 60 vezes na passarela. Morando em um apartamento de dois andares em TriBeCa, Manhattan, e viajando pelo mundo, Gisele começou a aparecer em todas as capas de revistas importantes, trabalhar com os fotógrafos mais famosos e fazer várias campanhas publicitárias. Uma dessas campanhas foi para a Missoni, uma das mais importantes. Daí todas as portas começaram a se abrir para ela.

O caminho para o topo começou de vez em 1999, quando Gisele fez algo sem precedentes no mundo da moda. Em um tiro só ela arrematou todas as capas, editoriais, desfiles e campanhas mais importantes, tudo de uma só vez. Em Novembro de 1999 lá estava Gisele Bündchen, 19 anos de idade, ao lado das grandes divas da moda (como Naomi Campbell, Claudia Schiffer e outras) na capa da edição do milênio da Vogue Americana. E naquele mesmo fim de ano, Gisele, mais uma vez, ao mundo que ela era a mais famosa e mais importante modelo do momento. Ela ganhou o prêmio "Model of the Year" (Modelo do Ano) no Vogue Fashion Awards.

Gisele já havia mudado o mundo da moda para sempre com suas perfeitas curvas e corpo escultural, talvez sem nem perceber. Em sua beleza infinita e amável modéstia Gisele disse para o mundo, sem usar nenhuma palavra, que as modelos anoréxicas estavam perdendo o seu espaço para as modelos com corpos perfeitos, cheios de curvas. E nós perguntamos "Gisele, você é a mulher mais bonita do mundo?", e ela responde em um jeito meio pueril que faz qualquer um perder a compostura "não, isso é impossível!". Ela está apenas provando que está errada.

No ano de 2000 muitas coisas aconteceram na carreira da Gisele, muitas coisas importantes, que a ajudaram a se consolidar como uma supermodel. Os editores de revistas de moda passaram a definir Gisele como uma übermodel. "Über" em alemão quer dizer "acima, topo". Isso quer dizer que a Gisele era considerada a melhor modelo que já existiu. Nenhuma outra modelo havia sido chamada assim. Também em 2000 Gisele assinou o talvez mais importante contrato de sua carreira. Era um contrato milionário com a grife Victoria's Secrets, por cinco anos. Gisele começou a usar todas as lingeries da marca, participar de todos os desfiles e preencher as páginas dos catálogos. Na edição de 2000 do VH1/Vogue Fashion Awards Gisele não foi condecorada com nenhum prêmio...isso porque ela era a apresentadora do evento. Ao lado de Cuba Gooding Junior ela fez piadas e passou a coroa para a modelo Carmen Kass, como a modelo do ano.



Em Setembro de 2000, a revista americana Rolling Stone teve, pela quarta vez, uma modelo em sua capa. Depois de Claudia Schiffer, Cindy Crawford e Laetitia Casta, lá estava Gisele Bündchen. A quarta modelo na história a estampar a capa de uma Rolling Stone, um espaço famoso por conter os maiores astros do rock e do pop. E o título, escrito em branco sobre um fundo azul era: "The most beautiful girl in the world" (A garota mais bonita do mundo). Poucos iriam descordar.

E alguém pode indagar "por que Gisele?" ou ainda "o que ela tem que nenhuma outra tem?". A resposta poderia ser "Gisele tem a perfeita combinação". Para ser modelo é necessário mais do que um rostinho bonito e um corpo sem falhas. É também necessário ter muita determinação, trabalhar muito duro, e também ter bastante sorte (por que não?). E qual é a melhor definição de sorte se não a do pai da Gisele: "sorte é a combinação de oportunidade com trabalho duro". Gisele viu as oportunidades e teve a inteligência e coragem de ir atrás delas. Mônica Monteiro também tenta explicar: "Ela é tudo isso por causa da educação que tem da família, que é exemplar e forte. E também pelo fato de ela ser uma pessoa boa".

No começo de 2001 Gisele anunciou ao mundo o que ela chamou de "aposentadoria". Era um exagero. Ela estava visando a sua qualidade de vida. "Fui escrava do meu trabalho por cinco anos, agora eu quero um tempo para mim. Só vou trabalhar para aqueles que gostam de mim". E nesses estão incluídos os seus “padrinhos” Dolce & Gabbana. Ela também fez alguns trabalhos para Christian Dior. Ela estava ainda trabalhando para a Victoria's Secrets e, no Brasil, ela assinou um contrato exclusivo com a loja de departamentos C&A.

E os dias passam e Gisele nunca perde a sua graça. Ela continua a encantar as pessoas simplesmente pelo seu jeito de ser. E até agora ela nos provou que isso já é suficiente. Suficiente para chamar a atenção de todos quando passa, suficiente para fazer um homem tremer as pernas apenas de olhar para seu rosto. Essa é a Gisele, uma luz que vem de do escuro e vai para todos os lugares, brilhando o caminho. Uma flor que nunca seca. Gisele é algo que sentimos por dentro e ficamos sem fala, tentando procurar palavras que não existem, as palavras que para descrevê-la.

Filmografia:

2006 - O diabo veste prada
2004 - Táxi

Por Fábio Idoeta

Texto: giselebundchen.hpg.ig.com.br

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