
Getúlio Vargas, o político gaúcho escolhido para representar a Aliança Liberal nas eleições presidenciais de 1930, nasceu em 19 de abril de 1883, em São Borja. Filho de uma família muito próspera, aos 15 anos Getúlio ingressou no serviço militar. Em 1904 iniciou a Faculdade de Direito em Porto Alegre, onde conheceu João Neves da Fontoura, Maurício Cardoso, Góes Monteiro, Eurico Gaspar Dutra e Firmino Paim Filho, com os quais fundou o Bloco Acadêmico Castilhista.
Exímio orador e colaborador do jornal O Debate, órgão da juventude castilhista, Getúlio Vargas destacou-se como herdeiro da boa tradição positivista local. Transformou-se em líder do Partido Republicano Riograndense na Assembléia Legislativa e revelou-se hábil negociador. Em meio à guerra civil de 1923, elegeu-se deputado federal e, três anos mais tarde, seu trabalho na Comissão de Economia e Finanças da Câmara Federal foi reconhecido pelo presidente Washington Luís, que o convidou para o Ministério da Fazenda. Logo veio sua indicação para representar o PRR nas eleições estaduais como candidato a governador. Em 25 de janeiro de 1928, Getúlio Vargas ocuparia o cargo de governador do Rio Grande do Sul.
O governador do Partido Republicano Riograndense, agremiação política que estava no poder desde a proclamação da República, não se contentava em ser apreciado apenas pelos seus correligionários. Getúlio convidou opositores do Partido Libertador para fazerem parte do governo e cuidava pessoalmente para que os articulistas do órgão oficial do PRR, o jornal A Federação, não insultassem a oposição.
Depois de governar o estado por um ano e meio, ele aceitaria, após alguma relutância, a tarefa de representar a Aliança Liberal nas eleições presidenciais de 1930. Uma inusitada disposição para a participação política percorreu o Brasil entre os anos de 1929 e 1930. A Aliança Liberal constituiu-se num forte indicativo da decadência do sistema oligárquico fechado e tradicional, onde persistiam práticas políticas excludentes: voto a cabresto, fraude e corrupção no processo eleitoral, poder dos coronéis e persistência de clientelismo político durante toda a Primeira República e predomínio político de setores ligados ao setor primário-exportador da economia.
Os grupos que se sentiram atraídos pelo discurso da Aliança Liberal eram muito heterogêneos; velhos oligarcas, quadros civis mais jovens, tenentes, operários e classes médias eram aqueles que se sentiam prejudicados pelo sistema oligárquico. E embora Vargas pertencesse à mesma elite oligárquica encastelada no poder desde a proclamação da República, seu governo provisório foi marcado pela criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e do Ministério da Educação e Saúde Pública; pela promulgação de um novo Código Eleitoral, que dava direito de voto às mulheres; pela lei de sindicalização; a instituição de uma jornada de trabalho de 48 horas e outros temas onde se destacava o inédito encaminhamento dos problemas sociais do Brasil.
Depois de eleito presidente pela Assembléia Nacional Constituinte de 1934, perto do final desse mandato, Vargas não admitia deixar o poder, especialmente para seus mais ferozes adversários. Quando o país oscilava entre as propostas de socialismo do PCB de Luis Carlos Prestes e o integralismo da AIB de Plínio Salgado, Getúlio encomendou a Francisco Campos uma constituição fascista e deu um golpe de Estado em novembro de 1937, instaurando o Estado Novo. Uma ditadura que criou mecanismos originais de controle da oposição, através da censura e prisão, e promoveu a propaganda do regime.
Ao mesmo tempo, criou a Lei do Salário Mínimo, organizou a Força Aérea Brasileira, o Correio Aéreo Nacional e negociou empréstimo norte-americano para construção da Usina de Volta Redonda. Titubeou em apoiar a democracia representada pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial e deu motivos aos adversários políticos para derrubá-lo em 1945. Antes disso, criou os partidos que o trariam de volta ao poder, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Democrático (PSD). Entre a renúncia em 1945 e a eleição presidencial de 1950, o movimento brasileiro mais contundente era o “queremismo” ou “queremos Getúlio”.
Desde o começo do mandato, assessores e familiares de Vargas eram acusados de tráfico de influência. A pressão da oposição e a ameaça de golpe militar somaram-se aos episódios que envolviam amigos e partidários de Vargas em atos ilícitos e resultaram no seu suicídio no dia 24 de agosto de 1954. As manifestações populares que se seguiram ao suicídio deram a dimensão exata do mito político no qual se transformaria o presidente Getúlio Vargas.
Seus quinze anos de governo seguintes, caracterizaram-se pelo nacionalismo e populismo. Sob seu governo foi promulgada a Constituição de 1934. Fecha o Congresso Nacional em 1937, instala o Estado Novo e passa a governar com poderes ditatoriais. Sua forma de governo passa a ser centralizadora e controladora. Criou o DIP ( Departamento de Imprensa e Propaganda ) para controlar e censurar manifestações contrárias ao seu governo.
Perseguiu opositores políticos, principalmente partidários do comunismo. Enviou Olga Benário , esposa do líder comunista Luis Carlos Prestes, para o governo nazista.
Realizações
Fomentou o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e do comércio estadual, amparou o charque e o arroz e apoiou o desenvolvimento tecnológico do trigo; fundou o Banco do Estado do Rio Grande do Sul e estimulou a criação da primeira empresa de aviação comercial do país, a Varig; buscou investimentos federais e estrangeiros e auxiliou no incremento da extração de carvão, na diminuição dos preços dos fretes, na criação de sindicatos de produtores; e foi implacável com a corrupção política, demovendo dos cargos àqueles que praticassem fraude eleitoral. Criou a Justiça do Trabalho (1939), instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, também conhecida por CLT. Os direitos trabalhistas também são frutos de seu governo: carteira profissional, semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas.
GV investiu muito na área de infra-estrutura, criando a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Vale do Rio Doce (1942), e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945). Em 1938, criou o IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e estatística). Saiu do governo em 1945, após um golpe militar.
O Segundo Mandato.
Eleito no final de 1950, com 48, 7% dos votos, Getúlio tomou posse em janeiro de 1951 e esse último mandato foi caracterizado por uma política marcadamente populista, da qual criou a campanha do " Petróleo é Nosso" que resultaria na criação da Petrobrás.
Sua perspectiva nacionalista no que dizia respeito à lei de inversões estrangeiras desagradava os militares, os investidores internacionais e as elites brasileiras. A nomeação de João Goulart para o Ministério do Trabalho em 1953, sua proposição de aumento de 100% do salário mínimo e a execução dessa promessa em 1954, foram o estopim de uma crise anunciada.
Currículo
Deputado estadual em três mandatos; Deputado Federal entre 1923 e 1926; líder da bancada gaúcha na Assembléia Nacional; Ministro da Fazenda de Washington Luís; Governador do Rio Grande do Sul entre 1928 e 1929; Chefe do Governo Provisório entre 1930 e 1934; Presidente eleito pela Assembléia Nacional Constituinte em 1934; Ditador entre 1937 e 1945; e Presidente eleito pelo voto direto em 1950
O suicídio de Vargas
Em agosto de 1954, Vargas suicidou-se no Palácio do Catete com um tiro no peito. Deixou uma carta testamento com uma frase que entrou para a história : "Deixo a vida para entrar na História." Até hoje o suicídio de Vargas gera polêmicas. O que sabemos é que seus últimos dias de governo foram marcados por forte pressão política por parte da imprensa e dos militares. A situação econômica do país não era positiva o que gerava muito descontentamento entre a população.
Conclusão
Embora tenha sido um ditador e governado com medidas controladoras e populistas, Vargas foi um presidente marcado pelo investimento no Brasil. Além de criar obras de infra-estrutura e desenvolver o parque industrial brasileiro, tomou medidas favoráveis aos trabalhadores. Foi na área do trabalho que deixou sua marca registrada. Sua política econômica gerou empregos no Brasil e suas medidas na área do trabalho favoreceram os trabalhadores brasileiros.
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