CAÇADORES DE TORNADOS

Por Júlio Cézar



O assunto é até assustador, mas traz muita informação.

Acontece que existem no mundo algumas pessoas que tem como profissão, ser caçador de tempestades. É como ocorreu nos filmes Twister e Mar em Fúria, o que vocês provavelmente assistiram no cinema ou em casa, é a mais fiel e pura realidade.

Eu faço parte de um grupo desses, que é o Grupo Neptuno Adventures, onde usamos barcos pequenos e muito rápidos para alcançarmos as maiores tempestades no mar. Há relatos de Tsunamis no Oceano Pacífico que alcançaram até 50 metros de altura, devastando plataformas de petróleo e fazendo desaparecer navios de grande porte, que foram alcançados por essas ondas.

Aqui no Brasil assim que sabemos de um alerta de mal tempo pegamos nosso barco e vamos atrás das tais ondas, e já encontramos no litoral carioca ondas imensas de até 13 metros de altura e ventos no mar aberto de mais de 150 Km por hora.

A emoção de ser um caçador de furacões, tempestades e outras intempéries do clima é muito emocionante e esse fato está sendo narrado em primeira mão para o seu site.

Quando nos deparamos com a "Parede" que é como chamamos a onda gigante, é um momento de pura adrenalina, pois não sabemos o resultado. O imprevisto por acontecer... A parede se forma e colocamos o barco em possição para ficarmos sempre de frente para a onda, caso contrário o barco pode virar facilmente.

Ficamos com ele engatado em marcha lenta, quando a onda engorda que é o que chamamos de "Hora da Festa", damos força total no motor e subimos a parede, o barco tem que passar por revisões diárias, pois uma pane poderia ser o nosso fim.

Lá vamos nós, subimos 8, 10 ou 12 metros numa escalada quase vertical e medimos a intensidade da ondulação e a velocidade do vento. Sempre tomando o cuidado de subirmos a onda antes que ela crie a crista e venha a quebrar em cima da gente, pois aí seríamos tragados por ela e levados ao fundo, exatamente como aconteceu no filme Mar em Fúria. Apesar dos equipamentos de segurança usados certamente a onda nos manteria tanto tempo no fundo que não resistiríamos e morreriamos afogados.



Mas não pensem que é só em mar aberto que acontecem esses fenômenos, já vimos acontecer ondas muito maiores que o normal em áreas protegidas como baías de vários locais do Brasil, como é o caso da baía de Paranaguá, no litoral do Paraná onde estamos sediados.

Estivemos também presentes no litoral catarinense quando da ocorrência do furacão Catarina, haviam ventos fortes e ondas grandes que levaram a pique inúmeras embarcações de pescadores, onde alguns faleceram, nós estivemos lá bem antes do fenômeno, e não vimos muita coisa, mas o mar estava negro e muito agitado.

Já chegamos a avistar também dentro de onda grandes tubarões, loucos para degustar carne fresca, pois devido ao barulho do barco eles são companias sempre presentes, e chegamos a ver tambem em ondas veleiros abandonados que quase cairam literalmente onde estávamos. Essas coisas surgem do nada, você está prestando a atenção na onda quando de repente se depara com o prôa de um barco que sai do meio da onda em sua direção, fazendo com que façamos manobras bruscas no intuito de nos livrar de um possível acidente.

Na Austrália são usados jet skis para enfrentar as enormes ondas, e o único inconveniente, são folhas e detritos no mar que podem entupir a entrada de água do motor fazendo com que pare em meio as ondas e os afundando.

Temos que ser rápidos e presumir o que pode acontecer, se vemos que a onda pode quebrar, damos meia volta e força total no motor para sairmos da área onde ela poderá quebrar, daí ou passamos por cima dela ou corremos em sua frente antes que ela nos alcance.

A situação é horripilante, só se ouvem estrondos, não se vê nada além da escuridão e muita água

Pois é isso, narrei para vocês uma profissão que muita gente não conhece e que também não é remunerada, pois fazemos isso em auxílio a humanidade e para avisarmos estações climáticas da intensidade do temporal. É uma brincadeira cara, pois todo o equipamento gira em torno de milhões de reais por ano.

Sempre que tivermos mais novidades enviaremos e-mail narrando o fato

Obrigado

Julio Cesar

Créditos: Júlio Cézar (texto) e Cripto Page (fotos)

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