BARILOCHE



Bariloche está situada a 770 metros acima do nível do mar e conta com uma população fixa de 100.000 habitantes. Com um movimento anual de turistas próximo dos 650.00, ela oferece todo tipo de acomodação. O turista pode hospedar-se no centro e assim desfrutar do agito noturno das cafeterias e restaurantes ou então buscar algo um pouco fora da cidade e mais exclusivo. No caso de “bungalows” ou “cabañas” tem-se uma saleta e cozinha próprias, o que pode ser interessante se pretender ficar por lá um maior tempo. O verão abre um leque de opções de turismo de aventura muito variado também: caminhada, mountain bike, cavalgadas, rafting...



Um certo Don Carlos de Vuriloche

Primeiro, despontam as montanhas imponentes - os cerros -, em boa parte cobertas de neve eterna. Depois, rompem as sucessivas florestas, onde, na primavera, as árvores ganham matizes que avançam do vermelho ao ocre. Já seria um cenário tão alucinante quanto o preço dos restaurantes. Mas há um atributo adicional: os lagos. São sete lagos, de um azul profundo. Eles se insinuam em torno dos cerros, ora tomando conta da paisagem, ora cedendo a vez às montanhas, em um jogo dinâmico, por vezes tão desconcertante quanto um drible do Maradona. O centro da cidade fica à margem do maior desses lagos, o Nahuel Huapi, um colosso de 560 quilômetros quadrados e sete braços, tão vasto que dentro dele caberiam três Buenos Aires.

O melhor lugar para divisar essa paisagem é o alto do Cerro Campanario. Pagam-se 15 pesos por pessoa para subir de teleférico e ter acesso a uma vista que a revista National Geographic americana listou entre as sete mais encantadoras do planeta. Só não esqueça aquele impermeável. Ao subir nesse mirante e vislumbrar o quadro formado pelos lagos e montanhas - incluindo o majestoso Cerro Tronador, que faz fronteira com o Chile -, é difícil acreditar que, um século atrás, os argentinos desconheciam Bariloche. Aliás, esse nome nem existia. Tudo se resumia a um punhado de forasteiros e a alguns indígenas, os vuriloche - ou "o povo do outro lado da montanha" -, que, por milagre, conseguiram sobreviver à sanguinária campanha empreendida pelo general Julio Roca na segunda metade do século 19.



Em 1895, o comerciante Carlos Wirderhold montou uma vendinha na região e passou a fazer encomendas aos fornecedores de Buenos Aires. As remessas deveriam chegar em nome de "Don Carlos de Vuriloche". Um pouco pela distância, outro tanto pelas dificuldades de comunicação e muito pela incompetência; some-se tudo isso e você terá a origem do nome San Carlos de Bariloche. Por fim, os vuriloche ficaram na saudade. Já o general Roca ganhou uma lustrosa estátua eqüestre no Centro Cívico, a bela praça desenhada pelo arquiteto Alejandro Bustillo.

Muito mais do que ao obscuro Don Carlos, a cidade de San Carlos de Bariloche deve seu florescimento a Bustillo, e ao irmão dele, Exequiel. Esses manos foram cruciais. Ainda nos anos 30, Exequiel ousou transformar a área em Parque Nacional, projeto que teve início numa mesa do Hotel Ritz, de Paris, entre um gole e outro de champanhe. Pouco depois, seu irmão Alejandro começou a projetar e a tocar as principais obras de Bariloche, tais como a Catedral, o próprio Centro Cívico e, em especial, o Hotel Llao Llao. Em pedra e madeira, ele desenhou o rosto da cidade. Há uma tendência atual de diminuir a importância desse arquiteto que, tal como o ex-presidente argentino Perón - financiador de suas obras nos anos 40 -, flertava com os ideais hipernacionalistas e grandiloqüentes do fascismo. Mesmo esses críticos, no entanto, reconhecem que Alejandro Bustillo tinha estilo. E, ressalve-se em seu favor: embora beneficiado nas licitações, jamais se envolveu diretamente com política.

CIDADE DOS CHOCOLATES



Todo o movimento turístico de Bariloche gira em torno do Centro Cívico, construído há mais de 50 anos com pedras e madeira da região. Para os que gostam de música, é o lugar certo para assistir a shows gratuitos. Neste local existe o Museu da Patagônia, inaugurado em 1.940, que conta com salas sobre ciências naturais, pré-história e fauna/flora. Vale a pena conferir. Em termos de compras, as opções vão desde o já famoso chocolate caseiro (nem sempre uma boa pedida no verão) até roupas e artesanato local.



TRUTAS

Bem próximo da Colonia Suiza existe uma atração muito interessante: a criação de trutas Arco-íris em jaulas flutuantes. Durante a visita, guiada, nos explicaram que a oxigenação natural do lago é fundamental para o sucesso do negócio. A pesca desportiva é uma das atividades mais procuradas pelos turistas. Se tiver tempo e gostar deste esporte, vá até o Museu Ictícola e admire o recorde mundial da truta marrom: um exemplar de 16 quilos e um metro de comprimento pescado na região que está embalsamado e em exposição. Mas não deixe Bariloche sem ao menos saborear um prato de truta ou, se preferir uma carne mais forte, javali, cervo ou cordeiro.

CIRCUITO CHICO

Este é um dos passeios mais tradicionais e o trajeto todo é de 65 km. Um dos pontos de maior beleza é a subida de teleférico ao Cerro Campanario. Do alto de seus 1.050 metros tem-se uma visão fabulosa dos lagos e das montanhas que circundam a cidade. A Colonia Suiza é outro ponto muito interessante: trata-se de uma comunidade agrícola iniciada pelos imigrantes que abriu suas portas para o turismo. O acesso ao local não é asfaltado mas compensador. Durante o almoço você irá saborear pratos preparados com produtos elaborados pelas famílias locais.

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