
Cancun, de verdade, é uma surpresa para aqueles que torcem o nariz para Miami, Caribe e adjacências. Não é a capital do México. Mas, certamente, é a porta de entrada mais bonita do país. Tem gente que nem cogita a possibilidade de conhecer a sua capital, a cidade do México, restringe a visita a Cancun, que reina absoluta entre outras preciosidades da península de Yucatan.

Além de belezas naturais, dos hotéis, shoppings, restaurantes, bares e boates pra lá de animados, Cancun também tem história. Ali mesmo pela redondeza. A duas horas do centro da cidade, por exemplo, encontramos o sítio arqueológico mais bem conservado do país: Chichén Itzá, que significa “a boca do poço dos itzaes” e foi a antiga morada de dirigentes, governantes e líderes religiosos da civilização maia. A estrutura principal é a pirâmide Kukukan, também conhecida como El Castilo, de 30 metros de altura, construída baseada em cálculos matemáticos relacionados ao calendário maia. A poucos metros, o observatório astronômico, chamado El Caracol; mais adiante, o Templo dos Guerreiros, que muito lembra o Templo de Karnak, no Egito, com um grupo de mil colunas, quadradas e redondas, que enchem os olhos de turistas experimentados; um palácio, que os espanhóis confundiram com convento, e um campo de jogo de bola, onde os maias apostavam a própria vida. Quem perdia era condenado à morte, o que significava uma honra para eles.

A opção descolada para os alternativos é Tulum. Trata-se de um sítio do final do período maia, à beira mar, composto por templos e uma plataforma de cerimônias. O que mais chama a atenção é o Templo dos Afrescos, que abrigava um observatório para estudos do movimento do sol, cujas paredes internas são decoradas com afrescos que retratam serpentes sobrenaturais.

Sombra, mergulho e culinária.
Definitivamente, não existe adjetivo que traduza a beleza desse mar de águas transparentes, temperatura amena, que banha Cancun, cujo fundo é colorido por cardumes inteiros de peixes tropicais - um local perfeito para quem gosta de mergulho. Para isso, existem os parques Xcaret e Xel-Ra, onde se pode assistir a esse espetáculo submarino, sem perigo. Mas, para quem quer atingir a perfeição no quesito mergulho, o endereço é Cozumel, a maior ilha do México e um dos pontos de mergulho mais disputados do mundo. O equipamento pode ser alugado e existem opções para todos os níveis de mergulhador. O repertório de cores e formas das instigantes criaturas submarinas que habitam esse pedaço da riviera maia é vasto, o que faz com que o programa se prolongue por dias, na ilha. Ao sul de Cozumel, um santuário maia é a atração histórica: El Caracol foi usado como referência para a navegação. Além de ter sido o lugar onde foi rezada a primeira missa em solo mexicano, Cozumel tem outras histórias para contar. Foi por lá que os espanhóis chegaram ao México, planejando conquistá-lo a partir da ilha.

As praias de Cancun são extraordinariamente brancas. Dizem, até, que a areia é artificial, produzida para impactar os turistas que chegam por lá. E eles são muitos, mais de 2 milhões por ano, de todos os cantos do planeta. São sotaques, cores e comportamentos bastante variados, de uma gente ávida por conferir as maravilhas que os prospectos de turismo prometem. Chegando lá, a realidade supera, e muito, as fotos dos folhetos.
Além da beleza natural dessa parte do país de Frida Kahlo, a culinária é um dos bons motivos para se visitar o México, seja lá em que parte for. A história de que tudo é apimentado é puro folclore. A comida é condimentada, sim, mas pimenta é uma opção. Come-se muito bem, no México. O festival de cores, sabores e aromas de tortillas, enchiladas, empanadas, quesadillas, tacos e sopes atende a todos os nossos sentidos.

Por fim, a noite mexicana é animadíssima. São muitas as opções entre bares, restaurantes e boates. O Pericos é um dos bares temáticos mais procurados de Cancun, cuja decoração chama a atenção pelo colorido e criatividade.
E pensar que, na década de 60 a população de Cancun era resumida a 100 pessoas...! Hoje, avenidas largas e arborizadas, grandes redes de hotéis, shoppings são uma demonstração de como o turismo é levado a sério. A iniciativa do governo de transformar aquela aldeia de pescadores fez com que aquele pedaço do México virasse um grande resort, paraíso perfeito para americanos, europeus e brasileiros, que ainda hoje preferem Cancun como a melhor opção para férias e feriados longos.

O turismo é a segunda maior indústria de Cancun. A sobrevivência da população gira em torno, praticamente, do turismo. Todos, de alguma forma, dependem dele para viver. Os mercados de artesanato refletem essa vocação. O artesanato é único. As cerâmicas têm lugar de destaque, assim como a prata e os trabalhos de papel marché. Mantas e sombreiros coloridos fazem parte da bagagem de volta de qualquer turista. E para vender, eles fazem qualquer negócio. A pechincha é praticada, sem pudores, no país inteiro.
As boas estradas mexicanas permitem os passeios mais fantásticos. A 122 km de Cancun fica Xel-Há, uma reserva ecológica, formada por lagoas, cavernas e rochas que se transformou num grande parque, visitado por centenas de turistas, todos os dias. O preço da entrada inclui a comida, bebidas, sorvetes, equipamento de mergulho e o que mais houver para fazer. E as opções são muitas, principalmente relacionadas à água. Em Yucatán, a água doce corre por baixo da terra e, por ser filtrada pelo calcário, ela é incrivelmente límpida e pura. Cardumes de peixes tropicais podem ser admirados sem que seja preciso entrar na água, de tão cristalina que ela é.

Outro passeio bastante procurado por quem vai a Cancun é a Playa Del Carmen, que fica a poucos minutos do centro. O passeio que durava apenas um dia tem “roubado” visitantes de Cancun e já se transformou no segundo balneário da península de Yucatan. Na principal via da praia, a 5a. Avenida, lojas, restaurantes e cafés românticos, decorados com flores e velas, dão o tom bucólico ao lugarejo. Toda essa descontração e charme têm atraído casais e lua de mel e as agências de viagem já vendem pacotes de viagem específicos para Playa Del Carmen.
Em lua de mel ou não, Cancun merece uma visita, mesmo que seja para só se esticar numa daquelas cadeiras à beira mar e ficar lagarteando sob o sol que brilha 200 dias por ano. Ou amanhecer o dia dançando numa das boates da cidade ou se entregando aos prazeres da mesa, arriscando-se à maldição de Montezuma. Em Cancun, tudo vale a pena. Até se a alma não for tão grande assim.
Autora: Sônia Pedrosa (Publicado no Jornal do Dia - Leitura Obrigatória), 29/12/2004.
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